26 de julho de 2014

A BELEZA DO BLACK POWER


Antes de falar do trabalho que foi feito em sala de aula de Educação Infantil (Maternal II) na prefeitura do Rio de Janeiro (Creche Municipal Casa Branca Professor Paulo Freire) tenho que dizer uma coisa que não me canso: o livro “O Mundo no Black Power de Tayó” é um dos mais belos e politizado livro que já li sobre a temática cabelos crespos. Traz de forma positivada os cabelos de uma menininha que é linda e, o que é melhor, acha-se bonita.

A ideia de trabalhar com o livro foi mesmo para romper preconceitos, tanto de alguns educadores como de pais e dos alunos. Tinha um menino, na turma que estou lecionando, que sempre comparava os cabelos das alunas com cabelo de bruxa. Logicamente que o cabelos são crespos.

Como a história é sobre o Black Power, resolvi trazer o livro para sala de aula e foi muito bem vindo. Comecei a semana contando a história e explorando as imagens que são bem coloridas. As crianças ficaram bem atentas, quando fomos fazer a discussão expliquei o que era o Black Power de forma simples porém real, são crianças que têm quase 4 anos. A medida que o debate fluía na rodinha fui mostrando fotos de personalidades e pessoas comuns que usavam Black Power e a reação foi ótima. Ouvi as crianças falarem da beleza das pessoas mostradas ou o nome das que identificavam, inclusive o jogadores da seleção brasileira. As diferentes imagens foram manuseadas pelo grupo com muita atenção.

  

Em seguida foi dito para eles que essa forma especial de pentear os cabelos e outras como as tranças os tererês, os dreads e os turbantes foram trazidas pelos negros. Lembrei que os negros vieram para o Brasil da África e que não vieram porque quiseram, vieram a força para serem escravizados. Lógico que deixei claro que isso não impediu que eles trouxessem na bagagem do coração suas culturas. Então apresentei um atlas gigante onde eles puderam visualizar o continente africano, o país Brasil e o caminho que os africanos percorreram até chegarem aqui. Também, no debate falamos que eles vieram de barco porque naquela época não existia avião. Trabalhando, de forma interdisciplinar, meios de transporte.

  

Após o manuseio e as curiosidades observadas no mapa, fomos construir o nosso mapa. Para isso apresentei as cores da África (preto, vermelho, amarelo e verde). Trabalhamos o nome das cores e quais eram semelhante com a cores do Brasil (verde, amarelo, azul e branco), assim trouxemos um pouco da matemática para sala de aula. Então partimos para a ação, pintamos os nosso mapa gigante da África e do Brasil e o oceano Atlântico. Lógico que estamos falando de Educação Infantil e nesse momento tudo é sensação, então convidei os alunos para pintarem o oceano com os pés e sentirem a sensação do gelado da tinta, a dificuldade e diferença de pintar com os esse órgão e não com as mãos. É lógico que o papel pardo rasgou, mas o objetivo foi atingindo: vivenciar diferentes sensações. Terminando nossa maratona de pinturas e montando nosso mapa gigante, fomos até nossa produção apreciar e colar barcos fazendo o caminho da África para o Brasil, para tal atividade entreguei barcos feitos de origami e numerados de 1 até 9, assim pude inserir mais um pouco de matemática para que as crianças pudessem identificar os números. A medida que levantava a placa do número os alunos diziam o nome e vinham colar no mapa.


Outro cartaz que fizemos com os pequenos foi com recorte e colagem de revista. Pedi que os alunos que procurassem imagens de pessoas negras nas revistas. Muito interessante foi os alunos tão pequenos perceberem a dificuldade de encontrar imagens de negros na revista. “-Tia, nessa revista não tem gente negra.” era frase comum na boca das crianças. Enquanto iam para a missão quase impossível – encontrar imagens de negros nas revistas – eu chamava outro grupo para fazer a estamparia na blusa. A auxiliar da turma que leciono, muito talentosa por sinal, fez o molde do desenho que propus e então colocamos as crianças para pintar a blusa com tinta de tecido e pincel batedor. Resultados: no final da semana todos saíram lindos, cada um com o seu Black Power produzidíssimo, com uma linda faixa colorida e a blusa produzida por eles próprios. Um sucesso de auto-estima, um monte de crianças felizes e educadoras com sorriso no rosto vendo seus objetivos atingidos. E, aquele menino que chamava de bruxas as meninas com cabelos crespos, só tecia elogios: "-Tia, como ela está linda! E ela também!". Missão cumprida.

 


Dicas a parte do planejamento que executei juntamente com a equipe que faço parte (as AEIs), são utilizar as palavras grifadas no livro para fazer um banco de palavras com os maiores. Vamos alfabetizar não é?! Temos um glossário atrás, o que nos dá possibilidades mil de produzir trabalho de história contextualizando o movimento Black Power. Para a galera do corpo e movimento, vamos remeter a circularidade do cabelo a circularidade das danças como jongo, ciranda e próprio samba de roda. E porque não, ao professor de ciências, debater os produtos de beleza para cabelos crespos e suas composições. E vamos para onde nossa criatividade docente nos levar, o importante é trabalhar literaturas onde todas as pessoas se sintam representadas.

  

 

  

Um comentário:

  1. Amei! e as camisetas feitas pelos pqnos!!! Maravilhoso trabalho Anandita!

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